quarta-feira, 13 de julho de 2011

Minha primeira namorada

 

Tenho uma estante no meu quarto

Passo os dias a namorá-la,

Pensando em como a deixar mais bela,

Pensando em como ser mais dela.

 

Tenho uma estante no meu quarto,

E estou tentando preenche-la com algo.

Algo que a segure no chão,

Algo que me arranque um sorriso, sem os seus “não”.

 

A estante já está cheia.

Cheia de ideias vagas.

Cheia de más companhias.

Preciso esvazia-la.

 

É preciso mudar,

É tempo de dor.

Tempo de jogar os livros no chão

E colocar outros no lugar.

 

A mudança adoece a alma

Depois a engrandece;

A mudança rouba a calma

E logo a reestabelece.

 

A minha estante não quer mudar.

Nesse instante ela está a me olhar,

Está a me ignorar.

Está bem acomodada com os velhos livros.

 

Não preciso trocar de estante para rearranjar os livros,

Basta um pouco de paciência

E mais uma dose de compreensão

Quem sabe assim ela me mostre sua essência.

 

A estante é minha.

Faço o que quiser com ela.

A estante é minha.

Mas no final, o que a fará parecer bela ?

 

Minha estante foi minha primeira namorada.

 

 

 

 

 

 

Obrigado pelo Porquinho da Índia Manuel Bandeira !

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Lascia ch'io pianga

Trovejos de dor, angustiam a espera
daquela bela.
Traquejos de dor, para a fera
querendo ser dela.

Desejos de prazer, por uma mera
filha de Vênus.
Anseios de ardor por ela
que toma por menos todo meu lirismo

Lirismo que é a poesia de Camões;
Lirismo que é dor que desatina sem doer;
É fogo, que arde sem se ver.

Meu lirismo não tem forma,
meu lirismo não tem fôrma.
É como meu amor.
Um novelo que se desenrola
Na esperança de alguém tê-lo.


Ou pelo menos lê-lo.


Dedicada a: Fabrício Costa

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fa(r)do Tropical

Texto elaborado por Fabrício Costa, dedicado à Lorenzzo Antonini
Comentado por Lorenzzo Antonini e Fabrício Costa



“Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”. E viva a deficiência e a inoperância do Estado brasileiro, herdado da mãe Lusitânia! Merece um ode à burocracia d’alem mar que aqui se enraizou, germinou, floresce, frutifica e se reproduz. Mas a cópia nunca sai melhor que o original.

Para abarcar a todos do compadrio do grupo político, que toma de assalto o Estado, é necessário um Estado grande, inoperante, burocrático, paquidérmico e hipertrofiado (1), que sirva de “cabide de emprego” para a ampla base governista. Enquanto isso, o povo vibra com a Bolsa Família, uma versão recalcada e menos brilhante, mas não sem menos sucesso, da política do “Panis et circensis”(2).

“E o Estado?”- outros perguntarão. E eis que os governistas responderão:
-“Isso é choro de perdedor.”
-“São as ‘zelites’” (3), e até mesmo “essa oposição é golpista”, bradarão os que dizem “nunca antes na história deste país”...

Há quem se veja constrangido em criticar o atual governo auto-intitulado popular. Mas não devemos perder de vista o célebre pensamento de Juvenal: “Quis custodiet ipsos custodies?”(4) .
Até quando o populismo rasteiro irá graçar entre nós? Até quando a figura do governante será mitificada? Até quando, partido e governo se misturarão de forma quase simbiótica na cabeça de uns? Até quando interesses do Estado serão postos em segundo plano por interesses do grupo no poder?

Partilhem cargos, comissões, estatais, ministérios, e por que não passaportes diplomáticos. Tudo em torno do interesse do grupo que toma posso do Estado. Afinal como dizia um outro Luís: “L’etat ces’t moi”(5). Mas como já disse, a cópia nunca sai melhor que o original. Ou discutindo dentro do campo, dito, deles: “a primeira vez que algo acontece é como tragédia, a segunda como farsa”.(6)

Enquanto isso, continua a dormir em berço esplêndido, ó pátria mãe gentil. Dormem cidadãos, dormem os direitos, dormem os legais, dormem os corretos.
Talvez o nosso Fado (ou fardo) seja mais triste deste lado do Atlântico.

Vontade de voltar ao útero.

Vontade de voltar ao Tejo.



(1). O Estado grande, inoperante, burocrático e hipertrofiado é aquele que abarca grandes líderes populistas, que se intitulam o maior representante da nação. Essa nação vive o pior dos dois mundos, a alta carga tributária de um sistema nacional-desenvolvimentista e a baixa qualidade dos serviços, uma vez que promover o desenvolvimento de empresas privadas é coisa das “zelite”. Um Presidente, chefe de Estado e de Governo ao mesmo tempo, que tem o poder de, em uma canetada, colocar em prática um plano sem a prévia autorização e discussão do congresso, é caracterizado como hipertrofiado, na medida em que concentra o domínio de diversas instituições públicas que acabam utilizadas como cabides de emprego.

(2). Política do pão e circo, utilizada na Roma antiga para entreter os insatisfeitos com o governo, não rebelando-se. Hoje, a política da Bolsa Família agrega-se ao fator Futebol, Cerveja e Carnaval, formando um cenário perfeito para a domesticação da população, e a mistificação do representante da nação.

(3). As “zelite” se referem claramente à elite. O termo é constantemente utilizado para mistificar no povo a idéia de uma elite oposicionista, e ao mesmo tempo golpista.

(4). “Quis custodiet ipsos custodiet?”, é uma referência ao tricameralismo brasileiro, que, supostamente deveria funcionar em harmonia, a fim de vigiar e manter a ordem dos três poderes. Seu significado é “E quem guardará os guardiões?”, mostrando que a força de um poder se sobrepõe à outros dois.

(5) Luís XVI, "O Estado é meu".

(6) Karl Marx em uma análise sobre o golpe de Estado perpetrado por Napoleão III, em alusão ao fato de imitar o procedimento de seu tio, Napoleão Bonaparte, no golpe do 18 Brumário.




Obrigado pelo texto, amigo. É realmente uma crítica e um desabafo ao nosso sistema político, que entra governo, sai governo, a procedência é a mesma. Que sirva de reflexão aos jovens e também aos velhos eleitores, ó pátria amada Brasil.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

É uma pena.

É uma pena. Que voa lá longe, alegre e serena
É uma pena, que não possa ter sua alma.
É uma pena, que de tão pequena, não é vista
É uma pena, ter o teu baú, sem ter a tua chave
É uma pena, que a pena, não seja vista
É uma pena, deixar o seu amor ao acaso
É uma pena, a beleza da pena não ser vista
É uma pena, um coração como este, fadado amor, sucumba à dor
É uma pena, o homem gigante, arrancar suas penas, e fazer de suas penas, o consolo para suas penas

É uma pena, pois a pena, alegre e serena, singela e pequena, mesmo ingênua, pertenceu a uma ave, robusta e perspicaz, forte e valente, que de tanto falar, acabou-se por gente.
É uma pena, assim como a ave, que perde sua pena, esse amor acabar, e herdar a hiena.




Não virem penas. Não sejam arrancados de seus locais de origem, de seu aconchego, por nada nem ninguém. Não virem penas, que são substituíveis e nunca são reparadas. É uma pena sentir pena.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A fantasia do meu desejo

Era só o que eu queria, um desabafo
Um momento de lucidez
Quando os anjos pudessem descer à Terra
E levar consigo minhas lamúrias

Que me deixassem descansar
E permitissem-me retirar este fardo
Que tampa meus umbrais,
E me suga o ânimo

Era só o que eu queria
A chance de sorrir novamente
Colocar no lugar minha mente
E você, ó bela esperança
Dizer-me tudo o que pensa

Que decidisse o destino do meu coração
Que vaga sem sentido
Remói minha alma
Suga minha força
E adoece meu frágil corpo

Uma decisão
Uma vírgula, ou um ponto final
Era tudo o que eu queria.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Onde está ela ?

Onde estará ela? Talvez em um mar de arabelas, em meio às nuvens amarelas;
Ou talvez esteja presa, no firmamento ou na imensidão do mar;
Talvez esteja no seu Porto Seguro, perto de seu Salvador, a vislumbrar o Belo Horizonte

E uma nova dúvida paira ao ar: como ela está?
Talvez esteja com medo;
Talvez não.
Talvez esteja triste;
Talvez não.
E talvez até mesmo sinta saudades;
Talvez não

Em meio a tantas conjecturas, vejo respostas:
Sei onde ela está,
Sei o que sente.
Está no fundo de um coração, e desfruta de um amor, pomposo e belo, alegre e multicolor.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Olhos vendados não escutam o cheiro podre

Lorenzzo Antonini

O processo eleitoral no Brasil é recente. Se considerarmos seu inicio em 1889, com a proclamação da Republica, pouco mais de 100 anos compreendem esse meio democrático. Mas, mesmo com o centenário, ele ainda é um bebê que apenas agora começa a aprender a andar com suas próprias pernas.
Com o advento da Republica, o voto passou a ser direto, mas a democracia não era consolidada. O povo, sem participação política efetiva, era submetida às vontades de uma minoria coronelesca. O Estado Novo se instaurou e as propagandas em massa tomaram conta do imaginário do brasileiro - artifício que perdura até hoje. O povo, que deveria pensar com a cabeça, involuntariamente começa a tomar as decisões com a barriga. E os governos insistem em combater sistematicamente a fome da maneira assistencialista, quando a carência das massas é por conhecimento e instrução.
Uma revolução é pouco provável- e desnecessária- no Brasil. Entra e sai discursos ortodoxos, comunistas, socialistas, de direita, de esquerda, de centro e pouco se faz. A verdade é que os extremos não são a solução para o país. A nação cresce, se desenvolve, e os culhões que o prende aos países desenvolvidos começam a ser quebrados. Então, como dividir o progresso? O desenvolvimento dos países do eixo norte é distribuído nas escolas. Em uma nação onde direito e dever são confundidos, a idéia de educação política e cívica deveria ser amplamente difundida nas escolas, como matéria obrigatória. Ela desvenda os olhos da população para a verdade, sem a necessidade de radicalismos. E o povo passa a participar do jogo político, com a mente, os olhos, os ouvidos e até mesmo com o nariz.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ser X Estar

Voce é

Linda como um mar de flor em um deserto
Delicada como a mais linda princesa da corte
Audaciosa como coqueiros que desafiam o mar na praia em um vendaval
Carismática como o mais eloquente dos líderes.

Voce tem

Olhos tão auspiciosos que me prendem no firmamento por todo dia
Uma boca tão suculenta que tua ausência me dá fome
Uma pele tão macia que ao tocar, sinto a presença dos deuses.
A mais impressionante forma de amar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

NO FUTURO

Texto de: Emmanuel



Quando o homem gravar na própria alma
Os parágrafos luminosos da Divina Lei,
O companheiro não repreenderá o companheiro,
O irmão não denunciará outro irmão.
O cárcere cerrará suas portas,
Os tribunais quedarão em silêncio.
Canhões serão convertidos em arados,
Homens de armas volverão à sementeira do solo.
O ódio será expulso do mundo,
As baionetas repousarão,
As máquinas não vomitarão chamas
para o incêndio e para a morte,
Mas cuidarão pacificamente do progresso planetário.
A justiça será ultrapassada pelo amor.
Os filhos da fé não somente serão justos,
Mas bons, profundamente bons.
A prece constituir-se-á de alegria e louvor
E as casas de oração estarão consagradas
ao trabalho sublime da fraternidade suprema.
A pregação da Lei
Viverá nos atos e pensamentos de todos,
Porque o Cordeiro de Deus
Terá transformado o coração de cada homem
Em tabernáculo de luz eterna,
Em que o seu Reino Divino
Resplandecerá para sempre.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ponha a cara no mundo


Ponha a cara no mundo. É basicamente o que tenho a dizer. Evite frituras, corra aos finais de semana, estude bastante. Mas quer saber mesmo? Ponha a cara no mundo. Nunca é tarde demais para se amar de novo. Nunca é tarde demais para cair na gandaia. Nunca é tarde demais para estudar física quântica (caso o leitor for um físico, nunca é tarde demais para estudar o budismo). 

Faça vários amigos, jogue no lixo o pré-conceito, beije várias bocas. Se estiver comprometido, beije seu parceiro como se fosse o primeiro. E como se fosse o segundo. 
  E como se fosse o último. 

Não se esqueça dos defeitos. Nem se preocupe demais com eles. Apenas não os deixem tomarem conta de você. Trabalhe mais neles. Se programe mais. Se programe menos.
 Atrase menos. Ou mais. Mas não beijará várias bocas se atrasar muito.


Não seja ciumento. O ciúme é tão útil quanto jogar na primeira mega sena do ano passado. Escute menos o Pedro Bial e use um pouco menos filtro solar. Pele bronzeada te ajuda a beijar mais bocas.

Se souber cantar, cante mais. Se não, aprenda. E faça o favor de não cantar enquanto não tiver aprendido. Dance. Mesmo se não souber. Dance com sua mãe, com seu pai, com sua cachorra, com sua vassoura. Mas dance. 

Dê bom dia. Se não estiver de bom humor, minta, dê bom dia. E ponha a cara no mundo. Dê mais parabéns.Mas não escreva " Que você seje muito feliz" . Deseje mais felicidades no ano novo. 

Faça suas metas todos os dias. Seja uma pessoa melhor. Seja maior. Cresça, evolua, melhore. Não beije tantas bocas assim. 




Mas ponha a cara no mundo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Insensato

Ah se ela soubesse, que meu coração é dela
Se fizesse, a mínima idéia, da saudade daquela
Que me tirou da escuridão, do pavor da solidão

Ah se ela soubesse, que a métrica não me importa
Que a flor sem ela está morta
E a sangria que me corta só estanca com teu beijo

Ah se ela soubesse, que minhas musicas são para ela
Meu orar só se remete àquela
Que de noite vem me acordar

Ah se ela soubesse, do tamanho da minha dor, pungente e ardente
E que o mundo não tem cor, sem o seu sorriso
Ah se ela soubesse!
Mas ela não sabe.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Carta à mãe natureza

Orixi,Orixá, minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá;
Tico-Ticos,Pombas,Pardais  ,voam pelo mar de oxigênio
Em meio à selva de concreto e grades,cativam sua liberdade

Ah!Como é bela a vida
Como é sábia a natureza
Me questionam, qual sua preferência musical?
Rock,Reggae ou colegial ?

Se soubessem a beleza do canto dos pássaros
A profundidade do estalar de um galho,
A mocidade de um gruído de um macaco
Não perderiam tempo; tardariam a procurar,
O CD da natureza

Valorizam jóias, relógios e apetrechos
Mas não reparam na experiência de uma arvore
Valorizam glorias e sonhos
Mas esquecem o acalanto de um menino risonho

Por aqui passam ruas de vida e luta,
Na minha terra de terra

O tempo do Vento

Fim da noite. Noite escura, tempo frio. Os ventos me trazem o passado; ingrato, traiçoeiro, como as rosas.Sim, como as rosas, pelas quais somos atraídos.Pelo cheiro ou a beleza.E em meio ao encantamento e hipnose, somos espetados.Textura do mel, espinho cruel.Me lembro bem dos tempos.Os antigos.Pouco queridos.Fim da noite.O vendaval remói meu inconsciente, abre minha mente, e as dores de outrora.É, o vento nunca mente.
Fim da noite.Paro em frente ao campo.Gélido e sem vida, reconstitui meu passado, abre minhas feridas.Bate na porta da minha dor.Não há ninguém. Só os ventos.Os ventos áridos trazem à tona aquela que tanto trabalhou. Levou consigo, em menos de 10 anos, 6 milhoes. Honrou seu cargo.Carregou minhas filhas e minha mulher, congeladas. Talvez como meu coração agora.Talvez como tenha sido minha vida, desde o fim dos tempos hostis.Os verdadeiros.Tempos totalitários, hipócritas, amorais, e como as rosas, traiçoeiros.
Fim da noite.Deixo o campo.Chego ao penhasco.De lá de cima, vejo o Ruhr. Assombroso, imponente.Aquele que manteve a guerra.Aquele que manteve minha vida.Aquele que forjou a armadura dos soldados. Aquele que manterá minha desgraça.
Já é tempo, aguardo o vento.Pois o tempo aprisiona, e o vento liberta.Adormece as paixões que o vento desperta.O vento.O vento .O vento.Fim da noite.Cerro meus olhos.Acabou o tempo.

Roda Viva

Bom dia leitores ! Há muito manifestei uma grande vontade de publicar alguns textos meus, amadores e  pobres, mas verdadeiros tambem. E que nem pelo amadorismo deixam de ser belos . O título foi retirado da clássica música "Roda Viva", do Chico. Uma letra que fala muito dos tempos difíceis que o Brasil viveu, mas que mostra um tema tão universal que eu seria capaz de associá-la à perda da seleção brasileira em 2010 para a Holanda. Gostaria também de pedir nessa abertura, as críticas, que serão mais bem vindas que os elogios. Que a música sirva então de reflexão para cada um, nesse novo ano que começa. Feliz 2011 a todos, e em breve começarei a publicar os textos.


Roda Viva

Chico Buarque


Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...