sábado, 1 de janeiro de 2011

O tempo do Vento

Fim da noite. Noite escura, tempo frio. Os ventos me trazem o passado; ingrato, traiçoeiro, como as rosas.Sim, como as rosas, pelas quais somos atraídos.Pelo cheiro ou a beleza.E em meio ao encantamento e hipnose, somos espetados.Textura do mel, espinho cruel.Me lembro bem dos tempos.Os antigos.Pouco queridos.Fim da noite.O vendaval remói meu inconsciente, abre minha mente, e as dores de outrora.É, o vento nunca mente.
Fim da noite.Paro em frente ao campo.Gélido e sem vida, reconstitui meu passado, abre minhas feridas.Bate na porta da minha dor.Não há ninguém. Só os ventos.Os ventos áridos trazem à tona aquela que tanto trabalhou. Levou consigo, em menos de 10 anos, 6 milhoes. Honrou seu cargo.Carregou minhas filhas e minha mulher, congeladas. Talvez como meu coração agora.Talvez como tenha sido minha vida, desde o fim dos tempos hostis.Os verdadeiros.Tempos totalitários, hipócritas, amorais, e como as rosas, traiçoeiros.
Fim da noite.Deixo o campo.Chego ao penhasco.De lá de cima, vejo o Ruhr. Assombroso, imponente.Aquele que manteve a guerra.Aquele que manteve minha vida.Aquele que forjou a armadura dos soldados. Aquele que manterá minha desgraça.
Já é tempo, aguardo o vento.Pois o tempo aprisiona, e o vento liberta.Adormece as paixões que o vento desperta.O vento.O vento .O vento.Fim da noite.Cerro meus olhos.Acabou o tempo.

2 comentários:

  1. amei ... vc q fez ??

    - Gaby van Eijk

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  2. Belo texto meu caro. Continue escrevendo, e não deixe que a timidez, ou algo parecido, te impeçam de públicar.

    Diversifique os temas e va em frente

    abraços.

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