Tenho uma estante no meu quarto
Passo os dias a namorá-la,
Pensando em como a deixar mais bela,
Pensando em como ser mais dela.
Tenho uma estante no meu quarto,
E estou tentando preenche-la com algo.
Algo que a segure no chão,
Algo que me arranque um sorriso, sem os seus “não”.
A estante já está cheia.
Cheia de ideias vagas.
Cheia de más companhias.
Preciso esvazia-la.
É preciso mudar,
É tempo de dor.
Tempo de jogar os livros no chão
E colocar outros no lugar.
A mudança adoece a alma
Depois a engrandece;
A mudança rouba a calma
E logo a reestabelece.
A minha estante não quer mudar.
Nesse instante ela está a me olhar,
Está a me ignorar.
Está bem acomodada com os velhos livros.
Não preciso trocar de estante para rearranjar os livros,
Basta um pouco de paciência
E mais uma dose de compreensão
Quem sabe assim ela me mostre sua essência.
A estante é minha.
Faço o que quiser com ela.
A estante é minha.
Mas no final, o que a fará parecer bela ?
Minha estante foi minha primeira namorada.
Obrigado pelo Porquinho da Índia Manuel Bandeira !